Estava com um cliente de Londres na semana passada, a mostrar-lhe os últimos números do IBGE, e vi a sua expressão mudar de interesse polido para incredulidade genuína. Tinha estado a considerar Portugal, Dubai, até Bali — mas nunca tinha visto dados migratórios assim de nenhum lado. Honestamente? Eu também não, quando cheguei aqui. Mas os números continuam a ficar cada vez mais convincentes.
Entre 2017 e 2022, 503.580 pessoas mudaram-se para Santa Catarina enquanto apenas 149.230 saíram. Isto é um ganho líquido de 354.350 residentes — dando ao estado o maior saldo migratório positivo do Brasil, de acordo com dados do IBGE. Para vos dar contexto, o estado mais próximo, Goiás, conseguiu +186.800. Santa Catarina quase duplicou.
Vou ser franco convosco — o crescimento populacional é um dos indicadores antecedentes mais fiáveis para a procura imobiliária sustentada. Não é chamativo, não é especulativo. É simplesmente matemática. Mais pessoas precisam de mais casas, e quando a entrada é tão forte, a tese de investimento praticamente escreve-se sozinha.
Os Estados Que as Pessoas Estão a Abandonar
O que torna ainda mais impressionantes os números de Santa Catarina é o que está a acontecer noutras regiões. São Paulo — o motor económico do Brasil — viu 736.380 chegadas mas 825.958 partidas durante o mesmo período, originando uma perda líquida de 89.578 pessoas. Rio de Janeiro saiu-se ainda pior, perdendo 165.360 residentes em termos líquidos. Os custos crescentes, o congestionamento e as preocupações com segurança estão a afastar as pessoas das duas maiores áreas metropolitanas do Brasil. E uma porção enorme delas está a chegar aqui a Santa Catarina.
Mato Grosso e Minas Gerais também tiveram saldos positivos — por volta de +103.900 e +106.500 respetivamente — mas nada se aproxima da trajetória de SC. Isto não é teoria — vivo aqui, e consigo sentir o crescimento sempre que dirijo por um bairro que era tranquilo há cinco anos e agora está cheio de gruas de construção.
Florianópolis: Onde Tudo Converge
Florianópolis — meu lugar de origem — recebeu mais de 84.600 novos residentes entre 2017 e 2022. Isto representa 15,7% de toda a população da cidade em 2022. Pensem bem: aproximadamente uma em cada seis pessoas a viver aqui chegou numa janela de cinco anos. Atualmente, 39,1% de todos os residentes de Floripa nasceram noutro estado brasileiro, bem acima da média estadual de 24,4%.
Conseguem vê-lo na essência da cidade. A cena gastronómica explodiu. As escolas internacionais estão a expandir-se. Espaços de coworking estão por toda a parte, alimentados pela reputação de Floripa como "Ilha do Silício" e pela migração tecnológica que continua a acelerar. A cidade sente-se cosmopolita de uma forma que teria parecido impossível quando cheguei há mais de uma década com o meu português de escola e um visto de turista.
O Corredor Costeiro Está a Absorver a Procura Rapidamente
A tendência migratória estende-se bem para além de Florianópolis. Vários municípios costeiros ao longo do corredor de SC estão a absorver novos residentes a taxas proporcionalmente ainda mais elevadas. Porto Belo, por exemplo, tem agora 30,1% da sua população nascida fora do estado. Itapoá situa-se em 32,3%, e Balneário Gaivota em 32,4%. Balneário Camboriú — que há muito considero a resposta da América Latina a Dubai Marina a uma fração do preço — regista 21,8%.
Estes são exatamente os mesmos municípios onde a atividade imobiliária tem sido mais intensa. A correlação entre entrada de população e desempenho do mercado imobiliário não é subtil — é direta e mensurável.
O Fator Internacional
Eis algo que não recebe suficiente atenção: a população nascida no estrangeiro de Santa Catarina aumentou mais de seis vezes em pouco mais de uma década, de 11.671 em 2010 para 72.793 em 2022, de acordo com o IBGE. Apenas em Florianópolis, os residentes internacionais passaram de 1,1% para 2,09% da população. Os maiores grupos incluem Venezuelanos (29,22% da população nascida no estrangeiro do estado — aproximadamente 26.900 pessoas), Argentinos (14,51%), Dominicanos (4,23%), Americanos (3,96%) e Portugueses (3,87%).
Esta comunidade internacional cria procura para além de habitação — impulsiona a infraestrutura que torna um lugar genuinamente habitável para estrangeiros. Cuidados de saúde bilingues, educação internacional, gastronomia diversa. Passei por isto eu próprio, e posso vos dizer que a diferença entre Floripa em 2012 e Floripa hoje é abismal para um expatriado.
Por Que Isto Importa Para o Vosso Investimento
A mecânica é simples. Quando chegam mais pessoas do que saem, a procura habitacional sobe — suportando tanto rendimentos de aluguel como apreciação de capital. O investimento em infraestrutura segue a população, melhorando a qualidade de vida e atraindo mais migração. A atividade comercial cresce, criando emprego. Os mercados de aluguel apertar-se, particularmente em localizações costeiras desejáveis onde a geografia constrange naturalmente a oferta.
Santa Catarina combina esta poderosa migração líquida com elevada qualidade de vida (IDH de 0,813) e asequibilidade relativa em comparação com São Paulo e Rio. Este vento estrutural tem historicamente sustentado o crescimento do mercado imobiliário, e não vejo razão para abrandar.
Apostei a minha vida e carreira neste estado. Mudei-me aqui, construí um negócio aqui, investi aqui. Os números não lhe fazem justiça — precisam de o ver. Mas se querem começar com os dados antes de marcar o voo, enviem-me uma mensagem. Sem pressão de vendas, apenas uma conversa sobre o que está realmente a acontecer no terreno.
